Videogames no Aprendizado – Parte I


Com a onipresença dos computadores e smartphones, a educação a distância vem se reinventando para incorporar essas novas tecnologias em seu leque de ferramentas, permitindo assim que aplicativos e jogos eletrônicos compartilhem o espaço antes preenchido apenas por livros didáticos como complemento para a aula.

Para deixar esse assunto um pouco menos abstrato, podemos citar exemplos mais indiretos como a série Assassin's Creed que faz a recriação de vários momentos decisivos para a história da humanidade. Cada jogo da série proporciona a experiência de momentos como o das grandes navegações, colonização americana, revolução industrial e muitos outros e em todos eles é possível que o jogador entre em prédios, converse com as pessoas da rua e veja o acontecimento histórico se desenrolar.

Figura #01: Retirada do jogo Assassin's Creed Unity, cena retrata uma manifestação no centro de Paris.

Figura #01: Retirada do jogo Assassin's Creed Unity, cena retrata uma manifestação no centro de Paris.

Na imagem acima podemos ver uma das revoltas que levaram à Revolução Francesa com a catedral e todo seu entorno criados de maneira tão fiel quanto se tem conhecimento. Podemos passear pelas ruas sujas numa época onde saneamento básico era apenas uma ideia. Estreitas e lotadas de pessoas, essas ruas nos dão total imersão no contexto do evento, mais do que ouvir sobre um acontecimento de muitos séculos atrás, testemunhamos e nos envolvemos com ele, nos tornamos parte da revolução.

Um professor de história poderia falar por semanas sobre o tema e ainda assim deixaria escapar vários detalhes. O diálogo rude dos pedestre, os açougues ao ar livre, a pompa dos nobres, uma infinidade de detalhes que só são concebíveis quando se vivencia o momento.

Saindo da história e indo para a biologia, podemos destacar o jogo Spore que te bota no controle de uma célula que vai evoluindo e deixando descendentes cada vez mais aptos à sobrevivência, emulando conceitos desenvolvidos principalmente por Charles Darwin em um dos livros mais conhecidos do campo, A Origens das Espécies.

Figura #02: Estágio Celular do jogo Spore, o organismo deve se desenvolver e adaptar-se para sobreviver.

Figura #02: Estágio Celular do jogo Spore, o organismo deve se desenvolver e adaptar-se para sobreviver.

A forma com a qual escapamos de predadores e o tipo de alimento que consumimos vai permitindo que a seleção natural entre em ação e guie a evolução do pequeno ser rumo à terra firme onde desenvolverá membros, músculos e órgãos mais complexos. Novamente, a evolução das espécies é sempre abstrata demais quando esclarecida apenas pelas palavras do professor de biologia. No jogo por outro lado, é visível a transformação lenta e gradual ao longo dos anos se manifestando sobre cada ninhada de filhotes.

Em ambos os exemplos, não são peças necessariamente educativas. Em primeiro lugar são produtos de entretenimento que utilizam suficientemente bem a tecnologia na apropriação de eventos e conceitos histórico-científicos nos dando uma amostra de como a educação pode ganhar com isso.

Aqui na SEaD por exemplo, lançamos recentemente nossa página no Google Play onde postaremos periodicamente alguns jogos e aplicativos concebidos desde o princípio para servir ao propósito educacional e que pode ser acessado através desse link - http://play.google.com/store/apps/dev?id=7965444831234746830. Por hora temos disponível a simulação Gravando em Casa que guia o jogador na preparação que deve ser feita antes de se gravar uma vídeo aula ou outro material audiovisual qualquer para a internet.

Espero que esse pequeno artigo tenha esclarecido um pouco mais sobre esse casamento entre educação e videogames. Em breve estará no ar a segunda parte onde abordaremos o uso que grandes empresas como Ambev, Bradesco, Natura e Magazine Luiza vem fazendo dos jogos na capacitação de seus funcionários.

 

Jogos citados no artigo:

Assassin's Creed Unity. Ubisoft Montreal. (Ubisoft). Microsoft Windows. Nível: Paris. (11/11/2014)

Spore. Maxis Studio. (Eletronic Arts). Microsoft Windows. Nível: Célula. (07/09/2008)

Luiz Ricardo
Luiz Ricardo Ribeiro é estudante do curso de Imagem e Som da Ufscar e trabalha com animação, desenvolvimento de jogos e aplicativos. Atualmente produz materiais interativos voltados para a educação à distância e pesquisa novas aplicações da tecnologia no auxílio do processo de aprendizagem.