EaD e audiovisual


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É notável como cresceu, em anos recentes, o acesso que temos a materiais audiovisuais educativos. O fato de as ferramentas de produção de vídeo terem se popularizado e seus custos barateados certamente contribuiu para isso, assim como a facilidade de compartilhar estes produtos em rede. No entanto, se não houvesse demanda, não teríamos esta abundância de vídeos educativos na internet. Em outras palavras, queremos conhecimento, ansiamos e buscamos novas informações sobre assuntos que nos atraem, refletimos e (re)formulamos nossas opiniões a partir destes.

O que não faltam na internet são exemplos de portais dedicados a vídeos educativos, instrucionais, ou mesmo informativos, mas capazes de suscitar debates e reflexões. Quem nunca assistiu a uma palestra no TED, por exemplo? Este mesmo portal possui uma plataforma que permite ao usuário criar lições e discussões a partir de vídeos.

Além deste formato de palestra gravada podemos mencionar outros, como os disponibilizados pelo Coursera - um consórcio internacional que conta, atualmente, com 62 universidades. Lá existem cursos pagos e gratuitos e boa parte do material didático se encontra no formato de videoaulas. Para irmos além, poderíamos falar de repositórios de objetos de aprendizagem, como o nosso, aqui da UFSCar, o LiSa, onde pode-se buscar diversos materiais produzidos pela SEaD e, dentre eles, claro, muitos materiais. Não podemos nos esquecer também dos vídeos disponíveis no Youtube. Quer cozinhar uma lasanha de berinjela? Ou talvez incluir um cenário virtual em chromakey naquele vídeo caseiro gravado com poucos recursos? Certamente haverá alguém mostrando uma forma de realizar estas tarefas por meio de um vídeo explicativo. 

Contudo, isto suscita algumas questões, como a qualidade, a confiabilidade, ou mesmo a superficialidade com a qual alguns assuntos são abordados. O nome da instituição produtora do vídeo, o currículo de quem está apresentando o material, os comentários dos usuários, são alguns dos elementos que podem nos ajudar a responder estas questões. Mas para além delas, o que mais me chama a atenção é “como tornar um vídeo atraente para o público?” e creio que, num momento em que abunda a quantidade de vídeos na internet, este seja um grande diferencial.

É claro que, num vídeo em que predomina a fala, o domínio da oratória por parte do interlocutor é fundamental. Saber pontuar as frases, dar ênfases corretas, pausas, é necessário. Mas será que um vídeo de 15 minutos gravado todo num plano fechado no rosto de uma pessoa, sem cortes - por mais atraente que seja o assunto e por melhor que seja a fala desta pessoa - terá o mesmo apelo que um vídeo, com a mesma fala, gravado com posições de câmeras variadas, cortes que acompanham a dramaticidade da fala e uma montagem que reforça ou subtrai as pausas do discurso?

Sendo o diálogo um dos elementos principais dos processos de ensino e aprendizagem, dominar a linguagem audiovisual para efetivar este diálogo com nossos interlocutores é essencial. Por isso penso que um dos inúmeros desafios que nós, que atuamos diretamente com educação a distância, enfrentamos é o de trabalhar a transdisciplinaridade. Para construir um material audiovisual precisamos de vários saberes: o específico do conteúdo, o pedagógico e o da linguagem audiovisual.

Tenho certeza de que este espaço recém inaugurado na internet nos trará boas reflexões sobre o assunto.

Ian
Ian R. Mazzeu é mestre em Imagem e Som pela UFSCar onde desenvolveu pesquisa sobre a produção de videoaulas. Trabalha com EaD produzindo materiais audiovisuais, atuando como tutor virtual e oferecendo cursos de capacitação em audiovisual. É também professor no ensino presencial, onde ministra disciplinas relacionadas a linguagem audiovisual.
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